Geriatria

Demência de Parkinson

A doença de Parkinson (DP) é uma doença degenerativa crônica do sistema nervoso central que afeta principalmente a coordenação motora. Os sintomas vão se manifestando de forma lenta e gradual, ao longo do tempo.

Na fase inicial da doença, os sintomas mais óbvios são tremores, rigidez, lentidão de movimentos e dificuldade em caminhar. Podem também ocorrer problemas de raciocínio e comportamentais.

Nos estádios avançados, é comum a presença de demência. Cerca de 30% das pessoas manifestam depressão e ansiedade. Entre outros possíveis sintomas estão problemas sensoriais, emocionais e perturbações do sono.

O conjunto dos principais sintomas a nível motor denomina-se “Parkinsonismo”, ou “síndrome de Parkinson”.[4][8]

Embora se desconheça a causa exata da doença, acredita-se que envolva tanto fatores genéticos como fatores ambientais. 

As pessoas com antecedentes familiares da doença apresentam um risco superior de vir a desenvolver Parkinson. Existe também um risco maior em pessoas expostas a determinados pesticidas e entre pessoas com antecedentes de lesões na cabeça. 

Os sintomas da doença a nível motor resultam da morte de células na substância negra, uma região do mesencéfalo. A morte leva a uma diminuição da produção de dopamina nessas regiões. As causas desta morte celular ainda são mal compreendidas, mas envolvem o acúmulo de proteínas nos corpos de Lewy, nos neurônios.

O diagnóstico de um caso comum é baseado nos sintomas, podendo ser acompanhado de exames neuroimagiológicos para descartar outras possíveis doenças. 

Não existe cura para a doença de Parkinson. O tratamento destina-se a melhorar os sintomas.

O tratamento inicial consiste geralmente na administração do medicamento antiparkinsônico levodopa, podendo ser usados agonistas da dopamina assim que a levodopa se torna menos eficaz.

 À medida que a doença avança e continuam a morrer neurônios, estes medicamentos vão perdendo a eficácia, ao mesmo tempo que produzem efeitos adversos caracterizados por movimentos involuntários.

A dieta e algumas formas de reabilitação têm demonstrado alguma eficácia na melhoria dos sintomas.  

A doença é mais comum entre homens do que em mulheres.

A esperança média de vida a seguir ao diagnóstico é de 7 a 14 anos.

A doença é assim denominada em homenagem ao médico britânico James Parkinson, que publicou a primeira descrição detalhada dela em 1817, na obra An Essay on the Shaking Palsy. 

Sinais e sintomas: 

É caracterizada clinicamente pela combinação de três sinais clássicos: tremor de repouso, bradicinesia e rigidez. 

Além disso, o paciente pode apresentar também: acinesia, micrografia, expressões como máscara, instabilidade postural, alterações na marcha e postura encurvada para a frente. 

O sintoma mais importante a ser observado é a bradicinesia (movimento lento).

 Além das alterações motoras, atualmente, a doença de Parkinson também é caracterizada por alterações não motoras, como a hipotensão ortostática e a disfunção barorreflexa. 

Os sintomas normalmente começam nas extremidades superiores e são geralmente unilaterais, devido à assimetria da degeneração inicial no cérebro.

A clínica é dominada pelos tremores musculares. Estes iniciam-se geralmente em uma mão, depois na perna do mesmo lado e depois nos outros membros. Tende a ser mais forte em membros em descanso, como ao segurar objetos, e durante períodos estressantes, sendo menos notável em movimentos mais amplos. 

Há na maioria dos casos, mas nem sempre, outros sintomas, como rigidez dos músculos, lentidão de movimentos e instabilidade postural (dificuldade em manter-se em pé). 

Há dificuldade em iniciar e parar a marcha, e as mudanças de direção são custosas, com numerosos pequenos passos.

O doente apresenta uma expressão fechada, pouco expressiva, e uma voz monotônica, devido ao deficiente controle sobre os músculos da face e laringe. A sua escrita tende a ser em pequeno tamanho (micrografia).

 Outros sintomas incluem deterioração da fluência da fala (gagueira), depressão e ansiedade, dificuldade de aprendizagem, insônia, perda do sentido do olfato.

Existem evidências de distúrbios nos domínios emocional, cognitivo e psicossocial, destacando-se: depressão, ansiedade, prejuízos cognitivos e olfativos e, em particular, a demência.

A evolução da doença de Parkinson se apresenta em diferentes intensidades para cada paciente, mas segue alguns padrões de progressão que permite avaliar seus principais estágios. 

Os estágios do Parkinson

  • Estágio 1 – Neste início, os sintomas não interferem nas atividades do cotidiano. Os tremores e as dificuldades motoras atingem apenas um lado do corpo, por isso passam despercebidos para os outros. Pessoas mais próximas, porém, já percebem algo diferente na postura, no caminhar e nas expressões faciais.
  • Estágio 2 – Neste ponto, os tremores, a rigidez muscular e as dificuldades motoras atingem os dois lados do corpo. O paciente anda mais devagar, com passos curtos. A fala já não é tão clara e o tom de voz diminui. Ainda é possível ser independente e ter autonomia para se cuidar sozinho, mas as tarefas demandam mais tempo para serem finalizadas. A evolução do primeiro estágio para o segundo pode demorar meses ou anos. Não há como prever.
  • Estágio 3 – Os sintomas ficam mais evidentes e a doença, mais comprometedora. Os movimentos são cada vez mais lentos. Falta equilíbrio para ficar de pé e para andar. As quedas ocorrem com mais frequência. Comer e se vestir sem ajuda de outra pessoa é um grande desafio. Terapias complementares, como a ocupacional, ajudam bastante a manter a autonomia do paciente.
  • Estágio 4 – Neste ponto, os sintomas se agravam e se tornam incapacitantes. Muitos pacientes já precisam de ajuda para andar e realizar pequenas tarefas do cotidiano. É do estágio 3 para o 4 que a maioria dos pacientes perde a autonomia. A presença de um cuidador ou parente é essencial. Morar sozinho se torna impossível.
  • Estágio 5 – Este é o estágio do Parkinson mais avançado, no qual a rigidez nas pernas impede o paciente de andar. Muitos passam a usar cadeiras de rodas ou ficam a maior parte do tempo na cama. Muitos parkinsonianos neste estágio apresentam delírios e alucinações. Os efeitos colaterais provocados pelas medicações superam seus benefícios.

Causas:

A doença de Parkinson é idiopática, ou seja, é uma doença primária de causa obscura. Há degeneração e morte celular dos neurônios produtores de dopamina. É, portanto, uma doença degenerativa do sistema nervoso central, com início geralmente após os 50 anos de idade. É uma das doenças neurológicas mais frequentes, visto que sua prevalência se situa entre 80 e 160 casos por cem mil habitantes, acometendo, aproximadamente, 1% dos indivíduos acima de 65 anos de idade.

É possível que a doença de Parkinson esteja ligada a defeitos sutis nas enzimas envolvidas na degradação das proteínas alfanucleína e/ou parkina (no Parkinsonismo genético, o defeito é no próprio gene da alfasinucleína ou parkina, e é mais grave). Esses defeitos levariam ao acúmulo de inclusões dessas proteínas ao longo da vida (sob a forma dos corpos de Lewy visíveis ao microscópico), e traduziriam-se na morte dos neurônios que expressam essas proteínas (apenas os dopaminérgicos) ou na sua disfunção durante a velhice.

 O parkinsonismo caracteriza-se, portanto, pela disfunção ou morte dos neurônios produtores da dopamina no sistema nervoso central. O local primordial de degeneração celular no Parkinsonismo é a substância negra, presente na base do mesencéfalo.

Embora seja mais comum em idosos, a doença também pode aparecer em jovens. A exposição a agrotóxicos pode ser um fator de risco.

No Brasil, apenas 10% dos pacientes com Parkinson desenvolvem demência, enquanto em outros países os números variam entre 20% e 40%.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito principalmente pela clínica e por testes musculares e de reflexos.  Normalmente, não há alterações nos exames de imagem (tomografia computadorizada cerebral e ressonância magnética), eletroencefalograma ou na composição do líquido cefalorraquidiano, mas podem ser feitos para descartar outras causas. 

Técnicas da medicina nuclear, como SPECTs e PETs, podem ser úteis para avaliar o metabolismo dos neurônios dos núcleos basais. 

Pode-se testar a resposta ao tratamento com carbidopa e levodopa; uma melhora significativa confirma o diagnóstico. 

Tratamento

O tratamento é multidisciplinar (fisioterapia, psicologia e nutrição) e medicamentoso (tratamento de sintomas e doenças associadas).

Cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda

Estimulação cerebral profunda ou ECP (do inglês Deep Brain Stimulation (DBS)) é um tratamento neurocirúrgico para transtornos neurológicos usando um marcapasso cerebral que envia impulsos elétricos a determinada parte do encéfalo. É usado no tratamento de doenças neurológicas, inclusive a de Parkinson, em que a medicação não foi eficiente e que causa amplos prejuízos ao paciente. 

O procedimento não é uma cura e não impede a progressão das doenças, mas tem se mostrado eficiente no controle dos sintomas motores, podendo devolver aos pacientes autonomia e qualidade de vida. 

Prognóstico:

O curso é progressivo e é feito durante de 10 a 25 anos após o surgimento dos sintomas. 

O agravamento contínuo dos sintomas, para além da importância da dopamina para o humor, leva a alterações radicais na vida do doente, e à depressão profunda, frequentemente.

A síndrome de Parkinson não é fatal, mas fragiliza e predispõe o doente a outras patologias, como pneumonia de aspiração (o fraco controle muscular leva à deglutição da comida para os pulmões) e outras infecções, devido à imobilidade.

Referências bibliográficas:

 Parkinson’s Disease Information Page». NINDS. 30 de junho de 2016. Sveinbjornsdottir, S (11 de julho de 2016). «The clinical symptoms of Parkinson’s disease.». Journal of Neurochemistry.  

 Carroll, William M. (2016). International Neurology. [S.l.]: John Wiley & Sons. p. 188.

Kalia, LV; Lang, AE (29 de agosto de 2015). «Parkinson’s disease.». Lancet.

Ferri, Fred F. (2010). Ferri’s differential diagnosis: a practical guide to the differential diagnosis of symptoms, signs, and clinical disorders 2nd ed. Philadelphia, PA: Elsevier.

GBD 2015 Disease and Injury Incidence and Prevalence, Collaborators. (8 de outubro de 2016). «Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990–2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015.». Lancet.  

GBD 2015 Mortality and Causes of Death, Collaborators. (8 de outubro de 2016). «Global, regional, and national life expectancy, all-cause mortality, and cause-specific mortality for 249 causes of death, 1980–2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015.». Lancet.  

 Jones, H. Royden (2013). The Netter collection of medical illustrations. a compilation of paintings 2nd ed. Philadelphia, PA: Saunders Elsevier. p. 161.

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